Série – Áreas a explorar pra prosperar no futuro: A arte de aprender a aprender

Este é o quarto e último post desta série onde compartilho o que acredito serem os 5 assuntos que servem de base e suporte para se prosperar no futuro, não importa que futuro seja esse.

Aqui estão os outros textos:

Introdução

Criatividade e Empreendedorismo

Filosofia e Psicologia

O post de hoje é sobre uma habilidade que está muito próxima do conceito de autodidatismo. Talvez a mais importante pra quem quer adotar um estilo de vida mais autodidata. E é também mais uma fundamental habilidade que a escola não ensina.

A arte de aprender a aprender

“People think of education as something they can finish.” – Isaac Asimov

Como já vimos, o aprender não deve ser uma atividade própria de uma época da vida, mas um processo permanente. Aprender é circunstancial ao ser humano já que seu êxito como espécie depende de sua capacidade de aprender e inovar.

E hoje, graças aos avanços da Psicologia, da Sociologia e da Pedagogia, assim como das aplicações das novas tecnologias no ensino e na aprendizagem, é possível aprender melhor, cientificamente. É possível aprender a aprender.

Se aprender é entender algo que não se entendia antes, aprender a aprender é descobrir qual a melhor maneira de fazer isso.

Se você gostaria de ter mais controle sobre sua educação, construir algo do zero, desenvolver-se de modo profundo e significativo, viajar de forma independente, ou seja, se você gostaria de ser mais autodidata, mais autônomo ou simplesmente uma pessoa que não quer parar de aprender nunca, então você precisa saber aprender.

Ao adotar uma postura mais autônoma e autodidata, percebi que poderia e deveria melhorar meu processo de aprendizagem e decidi dedicar algum tempo tentando entender como nós aprendemos.

Foi assim que acabei descobrindo e me inscrevendo num curso online do Coursera, “Aprendendo a aprender”.

Falarei um pouco mais do curso, mas antes disso…

Aprender a desaprender pra reaprender

“Os analfabetos do século XXI não serão aqueles que não souberem ler e escrever. Mas todos que não souberem aprender a desaprender para, então, reaprender.” – Alvin Tofler

A era industrial, com seu pensamento linear, segmentado, repetitivo e previsível já deu lugar a era digital, de pensamento não linear, conectado, multidisciplinar e exponencialmente imprevisível.

Porém, nosso tradicional modelo de educação é o mesmo da era passada! Durante toda nossa vida escolar fomos treinados a pensar de um jeito industrial.

Por mais conectado que você se considere, por mais nativo digital que você seja, é muito possível que existam resquícios dessa antiga forma de pensar.

Eu apostaria que sua escola não ensinou você a aprender. Muito menos a desaprender e a reaprender.

Portanto, se quisermos aprender com mais eficiência nessa era pós digital, precisamos primeiro aprender a desaprender, para então, reaprender. Ou seja, precisamos se desapegar de dogmas, antigas tradições, crenças, pra reaprender com uma nova mentalidade.

E aqui, não quero dizer que tudo que é antigo é ruim. Mas que tudo merece sim ser questionado e repensado. Questione os padrões, não é porque sempre foi assim que tem que continuar sendo.

A inovação surge da quebra de paradigmas.

“Aprendendo a Aprender” – Coursera

Barbara Oakley nunca foi boa aluna em ciências exatas. Ela sempre achou que não tinha o talento natural pra essas disciplinas e por isso jurou nunca mais estudar matemática e ciência depois de sair da escola.

Foi assim que depois de se formar no ensino médio, se juntou ao exército determinada a estudar línguas, se tornando uma tradutora de russo.

Ao terminar sua experiência no serviço militar, Barbara teve dificuldades em encontrar emprego e percebeu que seus colegas engenheiros do exército tinham mais facilidade em resolver problemas e mais oportunidades de trabalho.

Bárbara então ignorou suas crenças de que não conseguia aprender matemática e ciências e resolveu encarar o desafio de aprender essas disciplinas de uma vez por todas, isso aos 26 anos.

Ao descobrir seu melhor jeito de aprender e descobrindo eficientes técnicas de aprendizado, ela conseguiu seu objetivo.

Hoje, Bárbara é professora de Engenharia na Universidade de Oakland. E isso só foi possível porque ela aprendeu que podia melhorar seu aprendizado em qualquer coisa.

Bárbara também é responsável por desenvolver o “Learning How to Learn”, o curso online mais popular do mundo, disponível no Coursera.

Este curso oferece fácil acesso à inestimáveis técnicas de aprendizado usadas por experts em arte, música, literatura, matemática, ciências, esportes e muitas outras disciplinas.

Além da Barbara, professora PhD com foco na relação entre neurociência e comportamento social, o curso também é ministrado pelo Terrence Sejnowski, cujo foco é a neurobiologia e um dos principais responsáveis pelo site brainfacts.org. Como se pode imaginar, o curso é focado em expor os resultados e descobertas obtidos nas mais recentes e confiáveis pesquisas científicas sobre o assunto.

Apesar de ser um curso online, gratuito, e de 4 semanas de duração, achei extremamente valioso e acho que seria interessante compartilhar de forma bem resumida algumas coisas que levei comigo de aprendizado.

– Modos de trabalho do cérebro: Focado e Difuso – Nosso cérebro atua em dois diferentes modos. O modo focado e o modo difuso. Os dois têm a mesma importância no nosso processo de aprendizagem.

O modo focado é ativado quando colocamos nossa atenção diretamente a uma determinada tarefa e tentamos aprender através daquilo. Pode ser uma aula, um texto ou um vídeo por exemplo.

Já o modo difuso é um modo de exploração, é quando deixamos nossa mente “divagar”. É quando aprendemos deixando nosso cérebro criar novas conexões. Pra ativar esse modo precisamos parar de focar no assunto estudado e deixar nossa mente “respirar”.

E como fazer isso? Descansando, praticando exercícios, dormindo, meditando, ou simplesmente mudando sua atenção para outro assunto totalmente diferente.

Já reparou quantas vezes você teve grandes idéias enquanto estava pensando na vida debaixo do chuveiro? Ou quando estava caminhando olhando a paisagem e click, teve aquela revelação? Então, se dê tempo suficiente pra sua mente atuar nos dois modos. Eles não atuam de forma simultânea e nós precisamos dos dois pra resolver problemas complexos.

– Técnica Pomodoro – Um excelente hábito de aprendizagem é se manter focado durante 25 minutos (Modo Focado) e então passar pro modo difuso por um curto tempo longe do material que está estudando. Após esse breve intervalo, voltar pra mais uma sessão de 25 minutos de foco. Essa técnica é conhecida como Pomodoro. Adapte ela como achar melhor.

– “Espalhando” o aprendizado – É melhor aprender um pouco todo dia em um maior intervalo de tempo, do que aprender muito em um curto período de tempo.

No modo focado, ao buscar uma resposta, nosso cérebro aciona uma determinada região, ativando uma série de idéias conectadas. Ele busca algo que já conhecemos bem, que já fizemos várias vezes anteriormente. Nosso cérebro tenta encontrar memórias de conhecimento conectadas ao problema que temos diante de nós.

E como formamos essa rede de conhecimento já trilhado no nosso cérebro? Praticando. Quanto mais praticamos um conhecimento, mais forte ele fica na nossa memória, e mais fácil nos lembramos dele no futuro.

Porém, para formar uma rede forte, não basta praticar um determinado conteúdo por muitas horas em um curto espaço de tempo. Não dá pra criar músculos por exemplo, passando 10 horas na academia durante 5 dias seguidos. É preciso tempo, descanso.

O mesmo vale pro cérebro. Na escola você sempre ouviu que não adiantava deixar pra estudar só na véspera. E com razão, vale mais estudar todo dia 1 hora durante 10 dias, do que estudar 10 horas em um único dia.

Por isso a importância de “espalhar” o aprendizado. Assim você aproveita vários períodos no modo difuso, como durante o sono por exemplo.

– Ilusões de Competência – “O maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, é a ilusão do conhecimento.” – Stephen Hawking

Há muitas formas em que podemos nos fazer sentir como se tivéssemos aprendido algo. Olhar pra solução pronta de um problema e achar que sabemos como se chega aquela solução, é um dos maiores exemplos da ilusão de competência na aprendizagem.

Destacar ou sublinhar também são técnicas que muitas vezes levam a essa ilusão de aprendizagem. Por outro lado, breves notas que resumem conceitos chaves são muito eficazes.

Não perca tempo com essas ilusões. Se acha que está fixando mais o pedaço de um texto só porque o está sublinhando, você está enganado.

– “Recordar” (Recall Technique) – Procure sempre recordar o que acabou de aprender. Leia 2 ou 3 páginas de um livro por exemplo, pare e repita em voz alta ou pra você mesmo o que acabou de ler. Funciona como uma espécie de teste. Os testes são essenciais pra evitar as ilusões de competência. Recordar é o exemplo de um mini-teste.

– Processo VS Produto – É muito melhor focar no processo ( “Eu preciso estudar por 1 hora hoje”), do que no produto (“Preciso terminar o curso hoje”). Pensar assim é muito útil pra evitar a procrastinação.

– Lista de Tarefas – Planeje uma lista de tarefas do dia na noite anterior (pra ganhar os benefícios do modo difuso durante o sono) com uma hora pra finalizá-la ( “Amanhã eu vou fazer isso, isso e aquilo…e vou terminar tudo até as 18 horas). Lembrando que a tarefa mais difícil deve ser sempre a primeira do dia.

– Exercícios Físicos – São extremamente importantes para o cérebro e para o aprendizado de novos conceitos.

– Metáforas e Analogias – Umas das melhores coisas que pode fazer não apenas pra relembrar, mas pra entender um conceito, é criar uma metáfora ou analogia pra ele, e quanto mais visual for, melhor!

– Prática deliberada – É quando você aplica uma especial atenção extra em praticar o material que você acha mais difícil. Esse é o tipo de prática que os experts usam pra acelerar seus ganhos de conhecimento.

– “Empacar” (Overlearning) – Cuidado pra não passar muito tempo focado num mesmo assunto. Já vimos que devemos alternar entre os modos focado e difuso. Ao passar muito tempo no modo focado, chega uma hora que podemos empacar. Nessas horas precisamos entrar no modo difuso pra focar novamente mais tarde.

Esses são apenas alguns assuntos abordados no curso. Todos estes e outros mais, são abordados com muito embasamento científico. Espero que tenha despertado seu interesse pois vale a pena.

Aprender a aprender é preciso. Não podemos esperar alguém vir nos ensinar sempre que não soubermos algo, é o mesmo que esperar sair de uma faculdade como um bom profissional. Devemos praticar o ato de estudar por conta própria, pesquisar, resolver problemas, tudo isso sem precisar de alguém do lado nos dizendo o que fazer. Além de suprir diversas necessidades, abrirá portas para muitas oportunidades.


Nunca pare de aprender & Desaprenda pra reaprender & Descubra sua melhor maneira de aprender

Esses temas em conjunto (Aprender a aprender, Criatividade, Empreendedorismo, Filosofia e Psicologia), acredito nos darão a habilidade necessária para se adaptar e aceitar as mudanças que ocorrem no mundo e impactam nossas vidas, tanto no melhor como no pior dos tempos.

Espero que o nosso sistema educacional possa valorizar mais esses assuntos logo. De qualquer forma, vivemos um momento em que há vários lugares pra se aprender de forma fácil e barata, principalmente online.

E se quiser sempre receber indicações de livros ligados a essas habilidades, acesse aqui.

Se achar que alguma outra habilidade pode ser incluída entre essas, não deixe de avisar!